Portugueses de sucesso no Estrangeiro com Paulo Polaina

Paulo Polaina é um dos portugueses que deixou para trás Portugal para ter contacto com novas realidades e novas experiências.

Enganem-se aqueles que os portugueses só emigram por falta de oportunidades na sua terra natal. Eles também emigram à procura de novas sensações longe do “cantinho” que nasceram.


NN: Queres fazer uma breve apresentação sobre ti?

PP: Sou nascido e criado em Lisboa, embora “com fortes raízes familiares no norte”. Tenho 34 anos.  Estudei e trabalhei em Portugal. Emigrei aproximadamente há 4 anos.

Iniciei a minha carreira nas IT, após 5 anos de estudo na área de engenharia electrónica e telecomunicações.  Juntei-me à equipa da Hewlett-Packard Portugal em 2005, onde iniciei o meu contacto com a área de formaçao. Em 2009, paralemente com trabalho, ingressei num novo objectivo pessoal, que se transformou pouco mais tarde numa paixão. O curso de piloto de aviação!

Entretanto em 2010, mais uma mudança se reflectiu na minha vida, tive o prazer de fazer parte da equipa da Excel Formação, onde trabalhei dedicado ao cliente Vodafone Portugal, e onde por sua vez consegui projectar valiosas competências, que por intermédio de algum networking, me valeram novas oportunidades no estrangeiro. Realizei vários projectos pontuais um pouco por toda a Europa, Angola e Malásia. Esta última experiência, revelou-se mais tarde muito frutífera, produzindo um contrato a longo termo em Kuala Lumpur.

Assim, em 2013, coincidente com o nascimento da minha primeira filha, obtive o meu primeiro contrato de trabalho efectivo no estrangeiro a mais de 11000 kms de casa, no sudeste asiático, Malásia! O contrato caiu no email, precisamente na manhã em que a minha filha nasceu.
A minha mulher na maternidade e ainda em sofrimento pós parto, foi confrontada com a ideia de uma nova realidade (para além daquela que já estavamos a experienciar) e com a coragem e determinação que tanto a caracteriza, deu-me um firme SIM. Fortalecendo, a união da nossa familia, que é o meu maior pilar em toda esta caminhada.

Portanto, entre mudar fraldas, cremes e noites mal dormidas, fomos vendendo os nossos bens, resignando nos nossos empregos e alugando o nosso lar a novos habitantes. Colocando assim os 4 pés fora de qualquer zona de conforto!

De lá para cá, já vivemos em 3 países diferentes. Malásia, Singapura e actualmente Austrália, em Melbourne.

Paulo Polaina
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NN:O que te levou a emigrar?

Felizmente em Portugal, eu gostava muito de fazer o meu trabalho na área da formação, preenchia-me verdadeiramente! E embora a conjuntura económica em Portugal no ano de 2013 não fosse a melhor, podia afirmar que a minha posição era segura e a empresa estável.
Porém a paixão pela aviação, em conjunto com a vontade de viver uma vida cheia de experiências e de histórias para contar, levou-me a arriscar mais alto. Embora, todo o risco inerente tenha sido moderado e bem medido.

Em síntese, o que me levou a emigrar, foi a busca de novas oportunidades (carreira de piloto), de novas experiências, contacto com diferentes culturas. Viver com alguma intensidade e com sentimento de constante descoberta, durante este tempo de vida que nos é concedido, essencialmente.

Paulo Polaina
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NN: De todas as experiências que tiveste até hoje, qual é a aquela que recordas com maior intensidade?

PP: A vida entre Malásia e Singapura. Após um ano em Kuala Lumpur, eu e a minha esposa, decidimos ingressar num projecto nosso. Abrimos um Kindergarten (Jardim de Infância). Por virtude da nossa filha, dos standards europeus e da janela de oportunidade na Ásia. O negócio nasceu e felizmente floresceu, rápido!

Ao mesmo tempo recebi uma proposta (tão esperada), para entrar no mundo da aviação. Localização, Singapura! Entrei para a CAE, a mais reputada academia de aviação no mundo e também o maior e mais conceituado fabricante de simuladores de avião. Comecei a instruir pilotos, das mais diversas companhias aéreas asiáticas, tais como Singapore Airlines, JetSar, Air Asia e Scoot.

A quase 500 kms de Kuala Lumpur e uma fronteira com muito trânsito, foram 8 meses a viver separados, à excepção dos fins-de-semana incluindo a gestão do negócio à distância e abraçar a nova carreira.
No entanto, foi o período em que fizemos mais amigos e mais disfrutamos de toda a experiência.

O projecto continua vivo na mão dos locais : http://www.babykingdommalaysia.com/#!our-story/c193c

Paulo Polaina
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NN: Qual foi o maior choque cultural que tiveste?

PP: As pessoas vão-se rir quando lerem, mas por incrível que pareça, foi na Austrália!

Embora, a perceção Europeia seja que a Austrália tem um conceito de vida mais “Western”, a realidade é que tudo aqui funciona de maneira ligeiramente diferente.

A começar pelo desporto, o desporto rei é o futebol australiano, que não tem nenhuma semelhança com o nosso futebol, em Portugal.
Uma espécie de variante do rugby, jogado num campo em forma de círculo, com regras que os próprios australianos desenvolveram. Ainda tenho dificuldades em perceber toda a dinâmica. A seguir ao AFL, vêm o cricket, o surf e depois o ténis. Futebol (soccer), aperece lá para 4º ou 5º lugar.

Depois, os shoppings. Fecham cedo, muito cedo por volta das 18h, em média.

Depois das 18h, e principalmente no inverno, é importante frequentar locais públicos na cidade, porque nos subúrbios, as ruas ficam praticamente vazias.

Outra coisa é a dimensão da Austrália. Grande demais para a população que tem. A Austrália tem sensivelmente 23 milhões de habitantes (apenas um pouco mais que o dobro dos portugueses) e o tamanho do território é 83 vezes maior que Portugal.
Portanto, há muita terra e as pessoas estão distribuídas por um maior território, o que não ajuda no contacto entre elas.

Finalmente, os Aussies, povo Australiano, são relativamente sociais, mas muito relaxados (não preguiçosos). O que quero dizer, é que apreciam muito o seu espaço e gostam de ter tempo para si mesmos sempre sem grandes pressas. Culturalmente e no trabalho, isto tem impacto na eficiência e nos tempos de tomada de decisão.

Melhores coisas na Austrália, os parques, as praias, as paisagens e claro a comida.
Muito boa, fresca e saudável!

Paulo Polaina
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NN: Mesmo vivendo fora, tentas cultivar na tua família as tradições portuguesas?

PP: Sempre! O amor por Portugal viaja connosco e permanece nos nossos corações.

Tento ensinar português às minhas filhas e continuamos a seguir atentamente os acontecimentos em Portugal numa base diária. Assim como o contacto com família e amigos.

NN: Como é que os portugueses são reconhecidos nos países por onde passaste?

PP: Na Ásia, existe uma curiosidade constante em saber mais sobre a nossa cultura e costumes. Eles adoram saber mais sobre nós, guiados puramente pela curiosidade. Fazem imensas perguntas sobre tudo e querem visitar o nosso país, sempre que falamos sobre as maravilhas de Portugal.
Somos vistos, como parte de uma civilização antiga, que tem muito para partilhar e também somos vistos como bons profissionais pela experiência de vida que temos na Europa.

Na Austrália, estamos ao mesmo nível que os locais. Existem vários australianos, descendentes de europeus. Gerações novas, que têm raízes na Itália, Grécia, Turquia, Reino Unido, Alemanha, etc. Por isso, não existe tanta curiosidade. As novas gerações gozam de uma recente história. Não existe um legado tão grande na história, como no caso de Portugal. No entanto, sabem perfeitamente onde fica a Nazaré!

Paulo Polaina
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NN: Qual era a frase que melhor significaria um arroz de sarrabulho ou um cozido à Portuguesa neste momento?

PP: Venha, e já vem tarde!

NN: Para concluir, achas que nós Portugueses podíamos estar numa situação mais favorável, tendo em conta o espaço territorial que ocupamos na Europa?

PP: Claramente, não só devido à localização, mas essencialmente, devido ao enorme valor de muitas pessoas. Nas suas competências e determinação.

Pena que estas mentes brilhantes, tantas vezes permanecem nos bastidores e nunca chegam às áreas mais críticas da gestão do país. Em alguns casos para progredirem, têm que emigrar e mais tarde o reconhecimento é dado pelo contributo que deram no estrangeiro e não em Portugal.

 

Paulo Polaina
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3 thoughts on “Portugueses de sucesso no Estrangeiro com Paulo Polaina

  • 08/07/2016 at 2:44 am
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    Boas gostei mesmo de ler este artigo. Dou os parabéns a esta familia pelo que lutaram e demonstraram em todas essas mudanças. E preciso ser uma familia bem unida so por isso ja têm muito carinho.
    Eu um pouco diferente e com mais anos por fora de Portugal tambem me identifico com o Paulo.
    Trabalho na area do Petróleo e depois de 13 anos no mar do norte e sem grande espaço de manobra isto e nao poder seguir mais rapido me aventurei e fui para fora da europa. Mianmar, vietanma, Tailândia, Malásia, China, Medio Oriente e agora na venezuela.
    Onde estou no momento como DSL Drilling Section Leader numa plataforma de protecção a trabalhar para a Repsol em conjuntura com Cadon IV.
    Do quero mesmo deixar os meus sinceros parabéns ao Paulo pela sua grande aventura.

    OBRIGADO

    Reply
  • 08/07/2016 at 10:17 am
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    Bom Dia.

    Acabei de ver esta página no Face e de ler a sua entrevista, a qual gostei muito, não só pela variedade de actividades que desempenha como até pela grande diversidade de Países que conhece e que acabam por dar uma dinâmica de beleza à sua vida.
    Também eu sou Português, da zona de Braga, Licenciado em Engenharia Agropecuária, 54 anos e desempregado de momento.
    Tenho passado os últimos meses à procura de emprego, mas infelizmente não tenho sido bem sucedido.
    Já trabalhei em Portugal, no Congo Brasaville e também em Angola de onde sou natural e encaro com a maior naturalidade o emigrar de novo para qualquer parte do Mundo, assim eu venha a ter uma interessante oportunidade de trabalho, que me leve a sair de Portugal.
    Daí estar a escrever este comentário e a deixar abaixo o meu email, no sentido de me tornar visível a alguém que até pode precisar do meu contributo profissional.
    Tenho um handicap, mas que é ultrapassável com a aprendizagem e a prática diária: o meu Inglês é de nível médio/fraco.
    Sem mais de momento.
    Melhores Cumprimentos.

    Ivo Brito

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  • 08/07/2016 at 1:23 pm
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    Foi com muita curiosidade e interesse que vi esta entrevista a Paulo Polina, foi por acaso que reparei na publicação « Portugueses de sucesso pelo mundo».
    Ser português , ser nortenho , deu me uma satisfação enorme, pois somos um país pequeno , mas com gente muito empreendedora, aventureira, ambiciosa, amiga, com um coração enorme.

    O meu trajeto de vida resume se a isto: estudei em Caminha até ao 5 ºano (agora o 9ª ano), continuei a estudar em Viana do Castelo (Escola Secundária de Monserrate) mas depressa me cansei , pois as viagens de comboio embora não fossem muito longas , mas sim chatas .
    Sair de casa ás 7.30 da manhã e entrar em casa ás 8 da noite, já não era para mim.
    Ver amigos meus com algumas moedas no bolso , principalmente ao fim de semana, fazia-me sentir muito triste , pois a minha família não era muito avantajada em dinheiro e bens.
    5 anos na construção civil foi o próximo passo .
    De uma 6ª feira para a 2ª feira da semana a seguir, tornei-me empregado de farmácia. Aí trabalhei 30anos. Por motivos diversos tive de deixar a farmácia. Contudo, hoje com 50anos de idade desenvolvo um projeto em conjunto com a minha esposa. Sinto-me muito satisfeito, porque tenho a convicção que vou realizar os meus sonhos. Sou uma pessoa ambiciosa e convencido que atingirei as minhas metas.
    Somos empresários individuais com uma empresa multinível cujo nome é ACN
    Neste momento resido na minha terra natal mas tenho uma enorme vontade de correr mundo.
    Convicto de que chegarei muito longe e que também posso ajudar outras pessoas a realizar os seus objetivos.
    Pretendo com este artigo felicitar todas as pessoas empreendedoras e ao mesmo tempo convidá-las a conhecer o meu projeto. SONHAR É GRÁTIS e ACREDITEM É SEMPRE POSSÍVEL
    José António

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