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INTELIGÊNCIA DA EMOÇÃO...

Artigo de opinião. Por: Fabíola de Sousa - Jornalista

Vivemos numa autêntica corrida contra o tempo. Todos os dias, somos inundadas por um mar de notícias sobre algoritmos, automatização e a obrigatoriedade de sermos cada vez mais digitais. Existe uma espécie de urgência silenciosa nos corredores das nossas empresas, um receio constante de ficarmos para trás nesta nova era.

Dão-nos a entender que o amanhã pertence exclusivamente às máquinas e que a intuição deixou de ter lugar nas mesas de decisão. Acabamos por tentar transformar as nossas rotinas em engrenagens perfeitas, focadas apenas na produtividade pura e dura... esquecendo-nos, pelo caminho, daquilo que nos trouxe até aqui.

Mas os dados contrariam este pânico diário. A realidade em Portugal mostra que as nossas empresas ainda estão a desenhar esta transição, com uma taxa de adoção de Inteligência Artificial a rondar os 11,5%, muito abaixo da média europeia.

O que isto nos ensina? Que a verdadeira transformação tecnológica não se faz à força, faz-se com pessoas. Curiosamente, as próprias previsões do Fórum Económico Mundial (WEF) confirmam que as competências mais raras e exigidas até 2030 não são as linguagens de programação, mas sim a empatia, a liderança, a resiliência e a inteligência emocional.

A capacidade de ler um olhar de preocupação numa reunião, de motivar uma equipa cansada e de construir relações de verdadeira confiança não pode (nem nunca poderá) ser programada.

Aqui no Norte, os negócios sempre tiveram rosto, palavra e coração. O desafio que temos pela frente não é lutar contra a inovação, mas sim usá-la a nosso favor para ganharmos tempo para o que importa.

As ferramentas digitais podem processar dados à velocidade da luz, mas a coragem para arriscar e tomar decisões difíceis continuará a ser profundamente humana. Precisamos de concentrar-nos naquilo que nenhuma máquina nos pode roubar.

Em vez de temermos a substituição, porque não assumimos o nosso papel como líderes que sabem cruzar a tecnologia com a sensibilidade?

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