cover

Comunicação não é custo. É cuidado

Há uma ideia que continua a aparecer vezes demais, como se fosse uma verdade inevitável: a de que comunicar é um gasto. Algo que se faz se sobrar tempo, se houver margem, se parecer necessário. Mas a comunicação raramente nasce do excesso. Nasce da consciência. E talvez seja por isso que tantas marcas continuam a tratá-la como um extra, quando na verdade ela é parte da alma de tudo o que querem ser.

Sempre me pareceu estranho que tantas empresas invistam tanto no que fazem e tão pouco na forma como isso chega aos outros. Como se bastasse existir qualidade para que alguém a reconhecesse. Como se o valor, por si só, tivesse o dom de se impor. Mas não tem. O valor precisa de ser dito, mostrado, cuidado. Precisa de uma linguagem que o torne visível sem o desfigurar.

Há uma diferença enorme entre comunicar por obrigação e comunicar com intenção. A primeira ocupa espaço. A segunda cria presença. E é nessa presença que começa a confiança, a memória, a ligação. Não se trata de gritar mais alto. Trata-se de saber dizer melhor. De encontrar uma voz que não pareça emprestada, mas própria. Uma voz que traduza a verdade da marca sem a vestir de artifício.

No fundo, comunicar bem é uma forma de respeito. Pelo trabalho que foi feito. Pelas pessoas que o constroem. E por quem está do lado de fora a tentar perceber se ali existe algo em que possa confiar. É por isso que continuo a acreditar que comunicação não é custo. É cuidado. É pensamento. É continuidade. É a forma como uma marca escolhe não desaparecer no ruído.

Talvez este seja o maior erro de tantos projetos: acharem que a competência basta por ser competência. Mas a competência, quando não é acompanhada de presença, perde-se no silêncio. E o silêncio, no mercado certo, raramente joga a favor de quem tem algo valioso para dizer.

 

Por: Fabíola Pereira de Sousa - Jornalista