COMBUSTÍVEIS: O TERMÓMETRO SILENCIOSO DA ECONOMIA
Por Fabíola Pereira de Sousa - Jornalista
O preço dos combustíveis voltou a ocupar o centro das conversas. Nas bombas de gasolina, nas empresas de transporte, nas famílias que fazem contas ao fim do mês. O tema não é novo, mas continua a ser urgente porque quase tudo o que se move no país depende dele.
Para as empresas do Norte que dependem de logística, distribuição ou deslocações constantes, cada aumento no combustível chega rápido a outros custos. O transporte fica mais caro, os serviços ficam mais caros, e é sempre o consumidor final quem acaba por sentir esse peso.
A conjuntura atual não ajuda. Instabilidade internacional, tensões geopolíticas que mexem no preço do petróleo, uma inflação que ainda não deu tréguas às famílias. As pequenas e médias empresas sentem isto de forma direta, muitas vezes sem margem para absorver mais um custo.
Falar de combustíveis é falar de competitividade regional e do custo de vida de quem trabalha no Alto Minho e no Norte do país. A Norte Negócios sabe que a saúde económica de uma região não se mede só em vendas, mas também na capacidade das empresas continuarem a operar com alguma previsibilidade. E previsibilidade é precisamente o que falta quando o preço muda semana a semana.
O que pode ser feito:
Algumas soluções já foram testadas noutros países e podem fazer sentido aqui. Uma revisão temporária do ISP em períodos de subida acentuada dos preços internacionais aliviaria parte da pressão sentida por famílias e empresas. Mais transparência na formação do preço final também ajudaria a perceber onde incide cada custo.
A criação de centrais de compra regionais permitiria às PMEs negociar combustível em maior escala, em vez de suportarem sozinhas esses custos. Protocolos de mobilidade partilhada entre empresas da mesma zona industrial e incentivos à eletrificação de frotas comerciais são outras vias possíveis.
A transição energética continua a ser o caminho mais sólido a médio prazo, mesmo que os resultados não apareçam de imediato. Autoconsumo solar, pontos de carregamento elétrico acessíveis e programas de eficiência energética com financiamento europeu reduzem, aos poucos, a dependência dos combustíveis fósseis.
E depois há o diálogo, que continua a faltar. Uma mesa de trabalho regular entre câmaras municipais, associações empresariais e distribuidoras permitiria antecipar impactos, em vez de reagir só quando os preços já subiram.
A Norte Negócios quer ter aqui um papel ativo. Ouvir as empresas associadas sobre o impacto real destes custos e levar propostas concretas às entidades competentes.
Fabíola Pereira de Sousa - Jornalista