INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NAS EMPRESAS: SERÁ MESMO TUDO AQUILO QUE NOS PROMETEM?
Tenho curiosidade em perceber até onde pode chegar a inteligência artificial. Mas também tenho dúvidas quando vejo as capacidades que lhe são atribuídas. Por vezes, parece que já não há praticamente nada que esta tecnologia não consiga fazer.
E será mesmo assim?
Uma coisa é utilizar uma ferramenta para preparar um documento, organizar informação ou ajudar numa tarefa. Outra é acreditar que consegue assumir todo esse trabalho sem erros e sem precisar de alguém que confirme o resultado.
Esta diferença pode parecer pequena, mas não é. Sobretudo para quem tem uma empresa e precisa de decidir onde investir o seu dinheiro.
Imaginemos um empresário que compra uma ferramenta convencido de que vai poupar várias horas de trabalho por semana. Se, afinal, alguém tiver de verificar os resultados, corrigir informações e completar tarefas, será que a poupança corresponde ao que esperava?
Não estou a dizer que estas ferramentas não são úteis. Podem ser, e muito. O que me parece importante é perceber o que fazem realmente, em vez de tomar como garantido tudo aquilo que aparece nas apresentações comerciais.
Há tarefas em que a inteligência artificial já dá uma ajuda considerável. Noutras, continua a cometer erros ou a precisar de acompanhamento. Por isso, antes de confiar numa solução, importa perceber se consegue cumprir aquilo que promete nas condições reais em que vai ser utilizada.
Nas empresas, os erros podem ter consequências. Uma informação incorreta enviada a um cliente ou um cálculo mal feito podem criar problemas que alguém terá de resolver. E a responsabilidade continua a ser de quem toma as decisões.
Por isso, não me parece que a questão seja utilizar ou não utilizar inteligência artificial. A questão é saber para quê e perceber se os resultados justificam o investimento.
A tecnologia vai continuar a evoluir. Aquilo que hoje não consegue fazer poderá ser possível amanhã. Mas não podemos investir hoje com base em promessas sobre o que talvez venha a acontecer.
E gostava de saber a opinião de quem já utiliza estas ferramentas nas empresas: aquilo que vos prometeram correspondeu ao que encontraram quando começaram realmente a trabalhar com elas?
Por: Fabíola Pereira de Sousa - Jornalista
