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EMPRESAS FAMILIARES… E DEPOIS DOS PAIS?

Por: Fabíola Pereira de Sousa - Jornalista

 

Há empresários que passam uma vida inteira a construir uma empresa, com a esperança de que um dia os filhos lhe deem continuidade. São anos de trabalho, investimentos, riscos e muitos sacrifícios. É natural que queiram ver aquilo que construíram passar para a geração seguinte.

Mas será que os filhos querem o mesmo?

Há famílias em que o futuro da empresa parece estar decidido desde cedo. Os filhos crescem a ouvir que um dia serão eles a assumir o negócio, como se isso fizesse parte do percurso natural de qualquer família empresária.

Só que os filhos crescem, fazem as suas escolhas e podem ter outros projetos. Podem reconhecer o valor daquilo que os pais construíram e, ainda assim, não querer seguir o mesmo caminho. E não me parece que isso faça deles filhos menos gratos.

Quem cresceu a ver os pais sempre preocupados com a empresa sabe bem o que isso significa. Os problemas não ficam no escritório, há decisões que não podem esperar e, muitas vezes, o trabalho acaba por ocupar o tempo que devia ser dedicado à família. Será assim tão estranho que alguns filhos não queiram repetir essa vida?

Mas também há empresários que dizem querer passar o negócio aos filhos e depois têm dificuldade em largar o comando. Querem que assumam responsabilidades, mas continuam a decidir tudo. Quando os filhos apresentam ideias diferentes, a resposta é muitas vezes que sempre se fez assim e que não há razão para mudar.

Pois… mas como podem preparar alguém para gerir uma empresa se não lhe dão espaço para o fazer?

Também não basta ser filho do dono para estar preparado para assumir a gestão. É preciso conhecer o negócio, ter experiência e saber tomar decisões. Há filhos com capacidade, mas que nunca tiveram oportunidade de aprender. E há outros que simplesmente não têm interesse.

Depois existem os conflitos entre irmãos, as empresas que perderam rentabilidade e os negócios que precisam de investimento para acompanhar as mudanças do mercado. Nem sempre aquilo que os pais construíram é um projeto que os filhos querem ou conseguem continuar.

Na minha opinião, o problema começa quando se confunde a continuidade da empresa com a obrigação de os filhos a gerirem. Uma coisa é herdar um negócio, outra é ter vontade e capacidade para o administrar.

A empresa pode continuar a pertencer à família e ser gerida por um profissional externo. Não vejo nisso qualquer problema, desde que seja a melhor solução para o negócio.

O que me parece pouco sensato é deixar a sucessão para a última hora, como se alguém fosse aparecer naturalmente para assumir o comando. Estas decisões não se resolvem de um dia para o outro.

E há uma questão que muitos empresários talvez nunca tenham colocado aos filhos: querem mesmo continuar o negócio ou estão apenas a tentar corresponder àquilo que os pais esperam deles?

Porque uma coisa é deixar aos filhos aquilo que construímos. Outra, bem diferente, é esperar que dediquem a vida a continuar o nosso trabalho.

E vocês, se tivessem construído uma empresa de raiz, esperariam que os vossos filhos lhe dessem continuidade ou aceitariam que escolhessem outro caminho?